quarta-feira, 10 de outubro de 2007

O tempo de desgraça

A vida que corre
E escorre
Pelas mãos de alguém
Pelas mãos de alguém
Que é ninguém
Que é só ou não
Mas fica só
Por não poder
Acompanhar
Quem forte está
Poder
Não tem eles
Sim, não o tem
Os inocentes
Das desgraças
Neles abatidas
Neles sentidas
Por eles sentidas
Lutem por eles
Não contra eles
Que de nada tem culpa
Que já nada têm
A não ser a vida
Que de muito não lhes vale
Agora!
Neste momento, neste instante
Neste segredo
Que todos sabem
E não podem contar
Ou não querem contar
Nem sequer pensar
Nem sequer chorar
Agora!
No tempo da desgraça.



Ana Sofia Costa
2003-03-21








Imagem da BBC Brasil


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