segunda-feira, 14 de julho de 2008

Esperança...

A morte espiritual do eu, do meu eu! Pior que a morte física, que a morte cerebral, que a morte só por si! A a morte que nos mantém vivos pelo prazer sádico de nos ver sofrer, doí mais que o peso do mundo, dói mais que tudo... A morte para o mundo dos vivos, dos realmente vivos, em que aos poucos padecemos, aos poucos e poucos vamos deixando de existir, de comer, de dormir, deixamos de ser e de merecer ser... Há quem, assim, morra...

Eu não queria ser assim... Um dia fui, por algum tempo fui, existi por existir, era só por ser, ou simplesmente não era, tinha apenas o simples prazer de nada usufruir, de nada querer, de nada sentir, apenas a dor do viver, do respirar, do estar...

Até um dia, nem sei bem porquê, acordei e respirei novamente! Haviam pássaros a cantar à minha janela, o Sol tocava-me na cara com uma suavidade quente que me fez ver o mundo, o mundo viu-me a mim, e eu voltei a viver, a respirar, a sentir, a tocar...

É possível acredita quando tudo parece acabar, é possível voltar a viver, é possível a diminuição de tanto sofrimento, do sofrimento de viver, de estar e de sentir! É possível sentir o bom, o suave, o cuidado, é possível voltar a viver quando tudo o que é nosso parece padecer, parece estar a cair, a desaparecer num poço profundo onde só existem escuridão e lágrimas, as nossas lágrimas... É possível!...


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